“Meiga, amorosa, sensível... inocente, era um verdadeiro anjo”. A professora Ângela Dillenburg descreve assim Geane de Silva de Brito, a jovem cadeirante morta durante o ataque ao Colégio Municipal Eurides Sant’Anna, em Barreiras (BA), na manhã de segunda-feira (26).
A reportagem, Dillenburg relatou que Geane era uma menina muito amável e sorridente, a quem ela havia dado aulas no AEE (Atendimento Educacional Especializado) da instituição.
Segundo a professora, a garota era muito participativa, e, mesmo com suas dificuldades, se fazia entender e respondia prontamente a tudo que lhe era solicitado.
Aluna antiga do Eurides Sant’Anna, onde estudava desde o 6º ano, Geane possuía deficiência múltipla, o que dificultou sua fuga no momento do atentado.
“Por ser cadeirante, não conseguiu fugir e se abrigar dos disparos, não teve chance... tamanha crueldade”, lamentou a professora de matemática e ex-diretora da instituição.
Angela Dillenburg disse que não conhecia o autor dos ataques, aluno do turno vespertino, há pouco tempo matriculado na instituição. “Era faltoso, pouco frequentava a escola”, relatou a professora.
Devido ao ataque, as aulas foram suspensas e só retornarão no dia 3 de outubro. Segundo Dillenburg, o atentado e a perda da estudante impactou toda a comunidade do colégio: “Uma tristeza só... Todos muito abalados.”
O ataque
O suspeito, de 14 anos, pulou o muro da escola, no bairro de São Pedro, e matou a vítima com golpes de arma branca e disparos de arma de fogo.
O autor do ataque foi atingido por um tiro de uma pessoa ainda não identificada pelas autoridades. Ele foi socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e levado a uma unidade de saúde, onde está internado em estado grave.
Investigações
O adolescente de 14 anos que invadiu uma escola de Barreiras (BA) e matou Geane de Silva de Brito avisou sobre o ataque de forma cifrada nas redes sociais, segundo a Polícia Civil baiana.
Ainda segundo a corporação, a apuração inicial dá conta de que o jovem teria agido sozinho.
No entanto, a 11ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Barreiras) prossegue as investigações e analisa se houve a participação de outra pessoa – além do adolescente – no ataque.